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terça-feira, dezembro 26, 2006

Carta Pastoral 2006/2007 (1)


1. Novo contexto vocacional hoje




A crise das vocações ao sacerdócio ou à vida religiosa não pode ser compreendida de um modo isolado do contexto cultural da nossa época nem do contexto da vivência da fé nas nossas comunidades.

É antes de mais uma crise cultural. Hoje sente-se a falta de uma “cultura vocacional” que se reflecte em vários âmbitos: crise da vocação ao matrimónio, à vida política, à vida sindical, à vida associativa. Isto é derivado da cultura reinante da incerteza e da confusão causada pelo relativismo e pelo vazio de ideais, de valores, de referências e modelos fortes. Acresce ainda a cultura da distracção, cada vez mais invasiva e evasiva, que perde de vista e até sufoca as interrogações sérias acerca do sentido da vida. Mais, sofre-se hoje de uma orfandade educativa nas famílias e nos centros de educação. Quantos abortos vocacionais – que impedem o desabrochar da semente da vocação – por causa do vazio educativo!

Todo este clima suscita e alimenta a cultura da indecisão: os jovens têm receio e medo de tomar opções e assumir compromissos fortes, exigentes e duradoiros. Basta pensar na actual crise da opção matrimonial que, a meu ver, não é menos grave do que a crise das vocações ao sacerdócio ou de consagração. É dramático tudo isto que leva um jovem a privar-se de uma das realidades mais belas da vida: formar uma família com um vínculo de amor uno, fiel e para sempre.

Esta crise cultural repercute-se também na Igreja. Em tempos de cristandade, a vocação, tal como a fé, despertava e transmitia-se como que por osmose ou contágio do ambiente cristão das famílias e da figura e do estatuto social do padre. Hoje, num mundo em constante mudança e pluralista, a vocação, tal como a fé, requer uma interpelação clara por parte da comunidade cristã e uma opção consciente e madura dos destinatários.

Acontece, porém, que nas nossas comunidades cristãs reina uma amnésia vocacional. A maior parte dos nossos cristãos pensa que a questão das vocações não lhes diz respeito; é assunto do bispo e dos padres.

A crise vocacional é, em última análise, crise de vivência e interpretação banal da fé, privada de toda a beleza, frescura, encanto, paixão, alegria e entusiasmo por Jesus Cristo e pelo evangelho, privada do sentido de responsabilidade e de doação a Deus e aos outros.

Esta reflexão serve para compreender o contexto da crise vocacional. Mas não ajuda a solucioná-la dizer que acontece o mesmo na vida política e sindical, nem ficar nas lamentações acerca do nosso mundo. A crise representa um desafio em ordem a assumir com novo ardor a pastoral vocacional e a encontrar novos caminhos. O que aqui está em jogo é, sobretudo, uma experiência de fé que leve a descobrir a novidade e a beleza do encontro com Jesus Cristo.

1 comentário:

Ana disse...

Linda mensagem, a que nos deixou o bispo D. António Marto, na sua Carta Pastoral.
Como disse na apresentação deste novo ano pastoral, esta carta não sai da sua cabeça, mas do coração. E acho que toda a gente consegue facilmente percebe-lo ao lê-la.

Fica bem e que a Luz e o Amor de Deus te acompanhem durante todos os dias da tua vida.
Bjinhos **